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Por que o intestino trava ao viajar? Entenda o motivo e saiba o que fazer.

  • Foto do escritor: Marina Seixas
    Marina Seixas
  • 10 de jan.
  • 3 min de leitura

Viajar costuma ser sinônimo de descanso, mudança de ares e quebra da rotina. Mas, para muitas pessoas, o período fora de casa vem acompanhado de um desconforto pouco comentado: o intestino simplesmente deixa de funcionar como de costume.


A constipação intestinal durante viagens é comum, transitória na maioria dos casos e, sobretudo, explicável do ponto de vista fisiológico. Entender por que isso acontece ajuda a lidar melhor com o problema e a evitar soluções precipitadas.



Cada pessoa tem um ritmo intestinal


Antes de tudo, é importante lembrar que não existe um “padrão ideal” universal. Há pessoas que evacuam diariamente; outras, em dias alternados. Desde que não haja dor, esforço excessivo ou alterações importantes nas fezes, essas variações podem ser consideradas normais.


O que chama atenção, especialmente durante viagens, são mudanças bruscas nesse padrão habitual, como passar vários dias sem evacuar ou sentir desconforto abdominal persistente.



Por que o intestino muda fora de casa?


O funcionamento intestinal é altamente sensível à rotina. Quando ela se altera, o intestino responde. Estudos mostram que a constipação em viagens costuma ser resultado da combinação de vários fatores, e não de uma única causa. Entre os principais estão:


  • Mudança de horários

O intestino também segue um ritmo biológico. Alterações nos horários das refeições, do sono e até do momento de ir ao banheiro interferem nos reflexos intestinais naturais, especialmente o reflexo gastrocólico, que estimula a evacuação após as refeições.


  • Alimentação diferente

Viagens costumam trazer refeições mais pobres em fibras e mais ricas em alimentos refinados, ultraprocessados ou com maior teor de gordura. A ingestão reduzida de frutas, verduras, legumes e grãos integrais diminui o volume e a maciez das fezes.


  • Menor ingestão de líquidos

Mesmo sem perceber, muitas pessoas bebem menos água fora de casa. A desidratação favorece fezes mais ressecadas, dificultando a evacuação.


  • Menos movimento

Caminhadas e atividades leves ajudam a estimular o trânsito intestinal. Longos períodos sentados em aviões, carros ou reuniões reduzem esse estímulo natural.


  • Fatores emocionais

Estresse, ansiedade, pressa e até o simples desconforto de usar banheiros fora de casa podem inibir o desejo evacuatório. O eixo intestino-cérebro tem papel central nesse processo.



O intestino não “trava” por acaso


Do ponto de vista fisiológico, a constipação durante viagens é uma resposta adaptativa do organismo a um ambiente diferente. O intestino reage à soma de estímulos novos: horários irregulares, alimentação distinta, menor hidratação e alterações emocionais.


Por isso, em pessoas sem doenças intestinais prévias, o quadro costuma ser temporário e se resolver com o retorno à rotina.



O que ajuda a regular o intestino durante a viagem?


A ciência aponta algumas estratégias simples, que não envolvem medidas extremas:


  • Manter a hidratação ao longo do dia, mesmo fora da rotina habitual


  • Priorizar alimentos ricos em fibras sempre que possível, como frutas, saladas, legumes, feijão, lentilha, aveia e pães integrais. Opções que costumam estar disponíveis mesmo fora de casa.


  • Respeitar o desejo de evacuar, sem adiar repetidamente


  • Incluir movimento leve, como caminhadas


  • Evitar soluções imediatistas sem orientação, especialmente o uso frequente de laxantes

Essas medidas costumam ser suficientes para a maioria das pessoas.



E os laxantes: quando fazem sentido?


O uso de laxantes é comum, mas deve ser visto com cautela. A literatura médica mostra que eles podem ser úteis em situações pontuais, porém não devem ser a primeira resposta para um intestino que apenas está reagindo à mudança de rotina.


Existem também diferentes classes de laxantes, com mecanismos de ação distintos, e cada uma tem indicações específicas. O uso inadequado pode causar dependência, desconforto abdominal e desequilíbrios intestinais.


Por isso, a orientação profissional é fundamental, especialmente se o problema se repetir com frequência.



Quando a constipação merece atenção?


Na maioria das viagens, a prisão de ventre não representa risco. No entanto, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica, como:


  • Dor intensa ou persistente


  • Presença de sangue nas fezes


  • Perda de peso inexplicada


  • Constipação frequente, mesmo fora de períodos de viagem


Nesses casos, a investigação é importante para descartar outras condições.


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