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Movimento é remédio: como o exercício físico transforma o cérebro e combate a ansiedade

  • Foto do escritor: Marina Seixas
    Marina Seixas
  • 13 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Você já deve ter ouvido que “mexer o corpo faz bem para a mente”. Mas a ciência foi além dessa frase genérica: estudos recentes mostram que o exercício físico atua diretamente nas estruturas cerebrais, ajudando a regular o humor, reduzir o estresse e até prevenir a ansiedade e a depressão.



O cérebro se transforma quando o corpo se move


Quando você pratica atividade física, seu corpo libera uma cascata de substâncias que funcionam como um verdadeiro “calmante natural”.


A dopamina, a serotonina e a norepinefrina, neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar, aumentam consideravelmente após o exercício. Esses efeitos explicam o famoso runner’s high, aquele estado de leve euforia e clareza mental após uma corrida ou treino mais intenso.


Mas o impacto vai além da sensação imediata: o movimento estimula o crescimento de novos neurônios e melhora a comunicação entre eles, um processo chamado neurogênese. Pesquisas mostram que isso ocorre especialmente no hipocampo, região do cérebro associada à memória e ao controle das emoções.



Exercício e ansiedade: o elo que a ciência comprova


Uma das pesquisas mais citadas dos últimos anos foi conduzida pela Lund University (Suécia) e acompanhou mais de 400 mil pessoas por mais de duas décadas. O resultado? Indivíduos fisicamente ativos apresentaram até 60% menos risco de desenvolver transtornos de ansiedade clínicos.


De forma semelhante, uma meta-análise publicada na Frontiers in Psychiatry (2024) mostrou que exercícios aeróbicos regulares como caminhada, corrida, ciclismo e dança reduzem os níveis de ansiedade em até 45%, especialmente quando praticados de forma constante, três a cinco vezes por semana.


O movimento, portanto, não é apenas um escape emocional: é uma ferramenta terapêutica comprovada.



Depressão, estresse e neuroplasticidade: um ciclo que o movimento quebra


A neuroplasticidade, capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões, tende a diminuir em períodos de depressão e estresse prolongados.


O exercício atua justamente no sentido oposto, estimulando a liberação de fatores neurotróficos como o BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), essencial para a regeneração dos neurônios.


Segundo um estudo publicado na Nature Mental Health (2025), indivíduos com rotina de exercícios moderados apresentaram aumento de 30% nos níveis de BDNF, além de melhora significativa nos padrões de sono e atenção.



Quanto é o suficiente?


Nem precisa viver na academia. Pesquisas da The Lancet Psychiatry indicam que 45 minutos de exercício físico, três a cinco vezes por semana, já são suficientes para trazer benefícios consistentes para o humor e a ansiedade. O segredo está na constância, não na intensidade.

 


Movimento como prevenção 


A ciência tem mostrado que manter o corpo ativo é uma das estratégias mais eficazes e acessíveis de prevenção em saúde mental. Além de reduzir a ansiedade e a depressão, o exercício melhora o sono, a autoconfiança, a clareza mental e até a resiliência emocional diante dos desafios cotidianos.


E o melhor: não há contraindicação para começar. Seja uma caminhada leve, uma aula de yoga ou treino de força, o importante é dar o primeiro passo!


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