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O que está faltando no seu treino? Os exercícios que você não deveria negligenciar

há 7 dias
6 min de leitura

Um treino completo vai muito além da musculação ou do exercício aeróbico. Entenda quais capacidades físicas merecem atenção e como diversificar sua rotina para cuidar do corpo de maneira mais equilibrada.


Quando pensamos em atividade física, é comum associá-la à musculação, à corrida ou à busca por resultados estéticos. Mas será que estamos trabalhando todas as capacidades que o nosso corpo precisa para se movimentar bem?


Uma rotina de exercícios equilibrada não deve considerar apenas a intensidade, a duração ou a quantidade de treinos realizados durante a semana. É importante desenvolver diferentes capacidades físicas, como força, resistência cardiorrespiratória, equilíbrio, mobilidade e flexibilidade.


Afinal, o corpo não foi feito para executar apenas um tipo de movimento. Ele precisa de força para sustentar e movimentar cargas, resistência para realizar atividades por mais tempo, equilíbrio para controlar a postura e mobilidade para se movimentar com liberdade.


E é justamente aí que alguns estímulos acabam ficando de lado.



1. Exercícios de força: muito além dos músculos


O treinamento de força é um dos pilares de uma rotina de atividade física saudável. Embora seja frequentemente associado ao ganho de massa muscular e à estética, seus benefícios vão muito além da aparência.


Fortalecer os músculos contribui para a realização de tarefas cotidianas, como carregar sacolas, subir escadas, levantar objetos e manter a autonomia ao longo da vida.


Além disso, o treinamento resistido pode favorecer a saúde cardiovascular, a funcionalidade e a manutenção da massa muscular. Uma declaração científica da American Heart Association, publicada em 2024, reforça a segurança e os benefícios do treinamento de resistência para adultos com e sem doenças cardiovasculares, respeitando as condições individuais.

O que incluir na rotina?


  • Agachamentos e suas variações;

  • Exercícios de empurrar e puxar;

  • Movimentos para fortalecimento das pernas e dos glúteos;

  • Exercícios para costas, peito, braços e abdômen;

  • Treinos com pesos livres, máquinas, elásticos ou peso corporal.


O importante é trabalhar os principais grupos musculares, respeitando o nível de condicionamento e progredindo gradualmente.



2. Exercícios aeróbicos: cuide também do coração


Caminhar, pedalar, nadar e dançar são exemplos de atividades aeróbicas que estimulam o sistema cardiorrespiratório.


Esses exercícios ajudam a desenvolver a capacidade do organismo de transportar e utilizar oxigênio durante o esforço físico. Também estão associados à melhora da saúde cardiovascular, do sono e do bem-estar mental.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos realizem, ao longo da semana, de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou de 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa, ou uma combinação equivalente.

Isso não significa que seja necessário correr ou realizar atividades de alto impacto. Caminhadas em ritmo acelerado, bicicleta ergométrica e natação podem fazer parte dessa estratégia.


O que incluir na rotina?


  • Caminhadas em ritmo moderado;

  • Corrida, quando adequada ao condicionamento;

  • Bicicleta ou bicicleta ergométrica;

  • Natação;

  • Dança e outras atividades que elevem a frequência cardíaca.


A melhor escolha é aquela que combina segurança, preferência pessoal e possibilidade de continuidade.



3. Equilíbrio e coordenação: capacidades que também precisam ser treinadas


Equilíbrio e coordenação são habilidades importantes para controlar os movimentos, manter a estabilidade e responder às mudanças de posição do corpo.


Embora muitas vezes sejam lembrados apenas em programas voltados às pessoas idosas, esses estímulos são relevantes em diferentes fases da vida. Eles podem contribuir para a consciência corporal, o controle dos movimentos e a realização de atividades cotidianas e esportivas.


A OMS destaca que pessoas idosas devem incluir atividades físicas variadas, com ênfase em equilíbrio funcional e fortalecimento muscular, em pelo menos três dias da semana, como estratégia para melhorar a capacidade funcional e prevenir quedas.

O que incluir na rotina?


  • Exercícios de apoio em uma perna, com suporte próximo;

  • Caminhada em linha, adaptada à capacidade individual;

  • Movimentos que envolvam mudanças controladas de direção;

  • Exercícios funcionais;

  • Práticas como tai chi e atividades que trabalhem consciência corporal.


Esses movimentos devem ser realizados em ambiente seguro e com adaptações quando necessário, especialmente por pessoas com dificuldades de mobilidade ou histórico de quedas.



4. Mobilidade: movimentos com mais liberdade


Mobilidade é a capacidade de movimentar uma articulação dentro de sua amplitude de movimento, com controle e funcionalidade.


Ela está presente em gestos simples, como alcançar um objeto em uma prateleira, agachar para pegar algo no chão ou girar o tronco para mudar de direção.


Trabalhar a mobilidade pode ajudar a manter a qualidade dos movimentos e facilitar a execução de exercícios e tarefas diárias.


O que incluir na rotina?


  • Movimentos controlados de quadril;

  • Mobilidade de ombros e coluna torácica;

  • Movimentos de tornozelos;

  • Exercícios dinâmicos antes da atividade física;

  • Sequências de mobilidade adaptadas às necessidades individuais.


A proposta não é forçar as articulações ou buscar amplitudes extremas, mas desenvolver movimentos confortáveis e controlados.



5. Flexibilidade: não deixe os alongamentos de lado


A flexibilidade está relacionada à capacidade de músculos e estruturas associadas permitirem o movimento das articulações em determinada amplitude.


Embora não seja necessário realizar sessões longas de alongamento antes de todo treino, desenvolver essa capacidade pode ser interessante para quem deseja melhorar ou preservar a amplitude de movimento.


Uma revisão sistemática com metanálise publicada na revista Sports Medicine, em 2025, analisou 189 estudos com 6.654 adultos e encontrou efeitos positivos do alongamento estático sobre a flexibilidade.

Isso reforça que o alongamento pode ser um estímulo útil, desde que seja realizado de maneira adequada e de acordo com os objetivos de cada pessoa.


O que incluir na rotina?


  • Alongamentos para membros inferiores;

  • Alongamentos de peitoral e ombros;

  • Exercícios para a região posterior das pernas;

  • Alongamentos suaves para quadril e panturrilhas;

  • Práticas como yoga, quando adequadas às condições individuais.


O ideal é respeitar os limites do corpo, sem movimentos bruscos ou dor.



6. Recuperação: o descanso também faz parte do treinamento


Existe uma ideia bastante comum de que treinar mais significa necessariamente alcançar melhores resultados. Mas a evolução não acontece apenas durante o exercício: a recuperação também faz parte do processo.


Durante o treinamento, o organismo é submetido a um estímulo físico que exige adaptação. Por isso, alternar os estímulos, respeitar os intervalos de recuperação e observar os sinais do corpo são atitudes importantes para manter uma rotina sustentável.


Nem todo dia é um bom dia para treinar intensamente. Noites mal dormidas, fadiga acentuada, dores incomuns e queda persistente no desempenho podem indicar a necessidade de ajustar a programação.

Em algumas situações, descansar ou substituir o treino por uma atividade mais leve é a escolha mais adequada. Quando houver febre, sintomas de doença ou dor importante, é necessário evitar o esforço e buscar orientação profissional quando indicado.


Como valorizar a recuperação?


  • Intercale grupos musculares e estímulos de maior intensidade;

  • Reserve períodos de descanso na programação;

  • Priorize uma boa rotina de sono;

  • Mantenha hidratação e alimentação adequadas;

  • Observe mudanças persistentes na disposição e no desempenho;

  • Não ignore dores ou sintomas fora do habitual.


Descansar não significa perder o progresso. Significa reconhecer que o corpo também precisa de tempo para se adaptar.



Como construir uma rotina de exercícios mais equilibrada?


Não é necessário realizar todos esses estímulos em um único dia ou transformar a rotina em uma sequência interminável de atividades.


O primeiro passo é observar o que já faz parte do seu treinamento e identificar quais capacidades estão recebendo menos atenção.


Uma pessoa que realiza musculação regularmente, por exemplo, pode se beneficiar da inclusão de caminhadas, exercícios de mobilidade e atividades que trabalhem equilíbrio. Já quem pratica predominantemente atividades aeróbicas pode avaliar a inclusão de exercícios de força.


A recomendação da OMS para adultos é um bom ponto de partida: combinar atividades aeróbicas com fortalecimento dos principais grupos musculares em pelo menos dois dias da semana. A partir disso, outras capacidades podem ser trabalhadas conforme os objetivos, a idade, a condição física e as necessidades individuais.


Dicas práticas para não negligenciar nenhum estímulo


1. Observe sua rotina: identifique quais atividades você já pratica e quais capacidades físicas ainda recebem pouca atenção.


2. Varie os movimentos: experimente combinar musculação, caminhada, bicicleta, alongamento e exercícios funcionais.


3. Inclua pequenos momentos de mobilidade: alguns minutos de movimentos controlados podem ser incorporados à rotina, respeitando suas necessidades.


4. Trabalhe o equilíbrio: inclua exercícios simples e seguros, principalmente se você deseja desenvolver mais controle corporal.


5. Respeite os intervalos de descanso: não transforme todos os dias em dias de treino intenso.


6. Busque orientação profissional: um profissional de Educação Física pode ajudar a organizar os estímulos de acordo com seus objetivos e limitações.


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