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Caldo de ossos: o que a ciência realmente diz sobre o “superalimento” do momento

  • Foto do escritor: Marina Seixas
    Marina Seixas
  • 17 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

O caldo de ossos, conhecido também como bone broth, virou febre nas redes sociais e no mundo do bem-estar: “elixir” que promete articulações fortes, intestino regenerado, pele renovada. Mas será que ele entrega tudo isso? Neste artigo, vamos explorar o que a ciência mostra até agora, o que ainda é promessa e como você pode aproveitar de forma consciente.



Do ritual ancestral ao boom do bem-estar


Durante séculos, culturas tradicionais já preparavam caldos feitos com ossos, tecidos e carne, buscando nutrição, recuperação e tradição.


Mais recentemente, o caldo de ossos ganhou status de superalimento nas dietas de autocuidado. Mas, como todo fenômeno de tendência, é importante separar o marketing da evidência.



O que ele realmente contém


Quando preparado corretamente, o caldo de ossos pode conter colágeno, gelatina, aminoácidos como glicina, prolina, arginina, além de minerais como cálcio, fósforo, magnésio e potássio. Porém, estudos recentes indicam limites claros: a quantidade de minerais como cálcio ou magnésio muitas vezes é menor do que 5% da dose diária recomendada. Ou seja: sim, nutritivo, mas não “milagre”.



Colágeno: mito, suplemento ou alimento funcional?


O caldo de ossos é muitas vezes vendido como fonte de colágeno para articulações e pele. Mas especialistas alertam: o colágeno consumido é quebrado em aminoácidos, como qualquer proteína e a evidência de que o caldo sozinho promove grandes mudanças em tecido conjuntivo ou articulações é fraca.


Portanto, se o foco for articulações ou colágeno, talvez o caldo seja um complemento saboroso, mas não substituto de uma dieta rica em proteínas e de tratamentos recomendados.



Intestino e imunidade: promessas em estudo


Estudos recentes indicam que os aminoácidos presentes no caldo de ossos, especialmente glicina e glutamina, podem beneficiar a função da barreira intestinal, reduzir permeabilidade e ajudar o sistema imunológico. Porém, ainda há poucos ensaios clínicos em humanos robustos que comprovem esses efeitos de forma conclusiva.


A revisão “Nutritional insights into broths…” (2024) concluiu que, embora conteúdos variem muito, os níveis dos minerais extraídos em diferentes preparações nem sempre justificam as promessas. Ou seja: potencial existe, mas cautela também.

 


A visão dos especialistas


Fontes confiáveis como o Cleveland Clinic e o MD Anderson Cancer Center afirmam que o caldo de ossos pode ser uma adição nutritiva a uma dieta saudável, “um bom complemento”, mas não deve ser tratado como substituto de refeições ou único pilar nutricional. Além disso, há alertas sobre o excesso de sódio em versões industriais e potenciais contaminações por metais pesados, dependendo da origem dos ossos e do preparo.



Conclusão prática: vale incluir no cardápio?


Sim. Se você gosta, se encaixa no seu estilo de vida, e o prepara ou escolhe com atenção os ingredientes, o caldo de ossos pode ser um aliado saboroso e nutritivo. Mas com consciência:


  • Ele não substitui dieta equilibrada, qualidade de proteína, bons alimentos integrais.


  • Se o objetivo é articulação, pele ou intestino, ele pode ajudar, mas não sozinho.


Prefira versões caseiras ou de baixa sódio, controle quantidade, e veja como parte de um contexto maior de bem-estar.



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